As eleições presidenciais entre 1989 e 2014 representam um período de profundas transformações na política brasileira. Este artigo apresenta uma reflexão sobre a efetividade da alternância de poder e sobre a capacidade das eleições de promover mudanças estruturais na administração pública.
O que é eleição?
Eleição (e•lei•ção) é um substantivo feminino que significa:
- Ato de eleger;
- Processo de escolha por meio de votação;
- Escolha, preferência ou predileção;
- Grande perfeição física ou moral.
A palavra eleição deriva do latim electio, que significa escolha.
Em uma democracia, a eleição representa o momento em que os cidadãos escolhem representantes entre diferentes candidatos, partidos políticos, propostas e projetos de governo.
No Brasil, que historicamente possui um dos maiores números de partidos políticos do mundo, o eleitor encontra uma ampla variedade de legendas e candidatos para exercer esse direito. Além disso, o voto é obrigatório para a maior parte da população alfabetizada entre 18 e 70 anos.
Este artigo apresenta uma análise histórica sobre as eleições presidenciais brasileiras entre 1989 e 2006, sob uma perspectiva crítica que questiona se houve verdadeira alternância de projetos políticos durante esse período.
Eleições Presidenciais de 1989: O Início da "Nova República"
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| Luiz Inácio Lula da Silva X Fernando Collor de Mello |
Candidatos:
- Fernando Collor de Mello (PRN)
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
A eleição presidencial de 1989 marcou a primeira escolha direta para presidente após o período do regime militar.
Fernando Collor de Mello venceu Lula no segundo turno apresentando um discurso voltado ao combate aos privilégios e à modernização econômica.
Após assumir a Presidência, nomeou Zélia Cardoso de Mello (PCdoB - Partido Comunista do Brasil) para o Ministério da Fazenda, responsável pela implementação do Plano Collor.
A medida mais marcante do plano foi o bloqueio de grande parte dos depósitos bancários da população por aproximadamente 18 meses, política que ficou conhecida como confisco da poupança e afetou milhões de brasileiros.
Nos anos seguintes, denúncias de corrupção levaram ao processo de impeachment de Collor. Em outubro de 1992, ele foi afastado temporariamente, assumindo interinamente o vice-presidente Itamar Franco. Com a renúncia de Collor em dezembro do mesmo ano, Itamar tornou-se presidente efetivo.
No final desse período, o Brasil enfrentava uma hiperinflação. Em junho de 1994, nos últimos dias do Cruzeiro Real, a inflação mensal aproximava-se de 50%, reduzindo rapidamente o poder de compra da população.
Esse período marca o início de uma dinâmica política em que partidos considerados "adversários" passaram a apresentar, em diversos momentos, políticas semelhantes, gerando uma percepção de alternância política sem mudanças profundas na direção da "Nova República".
Eleições de 1994: Fernando Henrique Cardoso e o Plano Real
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| Fernando Henrique Cardoso X Luiz Inácio Lula da Silva |
Candidatos:
- Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Fernando Henrique Cardoso venceu as eleições de 1994 ainda no primeiro turno, impulsionado pelo sucesso do Plano Real, responsável por estabilizar a economia e controlar a hiperinflação gerada pelo governo anterior.
Durante seu governo foi aprovada a emenda constitucional que permitiu a reeleição para cargos do Poder Executivo. A votação dessa proposta foi posteriormente cercada por denúncias de compra de votos envolvendo parlamentares, fato amplamente divulgado na época.
Nesse período também consolidaria aquilo que alguns autores e comentaristas chamam de "Teatro das Tesouras", expressão utilizada para sustentar que PSDB e PT representariam diferenças mais eleitorais do que ideológicas e disputariam, a partir dali, todas as eleições no Brasil (até 2018) como se fossem opositores.
Eleições de 1998: A Reeleição de Fernando Henrique Cardoso
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| Fernando Henrique Cardoso reeleito em 1998 |
FHC vence novamente Lula
As eleições presidenciais de 1998 também ficaram marcadas pela utilização das urnas eletrônicas em todo o território nacional.
Fernando Henrique Cardoso foi reeleito ainda no primeiro turno.
Nos anos seguintes, o país enfrentou problemas na área energética, culminando em grandes apagões e, posteriormente, na crise do racionamento de energia conhecida como "apagão".
Em 2002, a inflação anual superava os 12%, enquanto o governo enfrentava críticas relacionadas ao crescimento econômico, de infraestrutura e às inúmeras promessas de contenção da crise.
Esse cenário reforçou a percepção de que governos concentravam esforços na manutenção do poder por meio da reeleição, enquanto problemas estruturais permaneciam sem solução definitiva.
Quem poderia salvar o Brasil ?
Eleições de 2002: Lula Assume a Presidência
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| Lula X José Serra |
Candidatos:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- José Serra (PSDB)
Luiz Inácio Lula da Silva venceu José Serra no segundo turno das eleições de 2002.
Durante a campanha, Lula adotou um discurso mais moderado, estratégia que ficou conhecida popularmente como "Lulinha Paz e Amor", buscando ampliar seu eleitorado.
Nos anos seguintes surgiram diversos escândalos políticos que marcaram seu primeiro mandato, entre eles:
- Escândalo dos Bingos;
- Escândalo dos Correios;
- Caso dos Dólares na Cueca;
- Escândalo do Mensalão;
- Máfia dos Sanguessugas.
O Mensalão tornou-se um dos maiores casos de corrupção da história política brasileira até então, envolvendo investigações conduzidas pelo Congresso Nacional, pelo Ministério Público e posteriormente julgadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Também durante esse período surgiram investigações relacionadas ao esquema conhecido como Máfia dos Sanguessugas, envolvendo fraudes em licitações e compra de ambulâncias.
Com o ex-ministro da Saúde e concorrente a eleição daquele ano, José Serra (PSDB), sendo acusado de um possível envolvimento.
Esses acontecimentos fortaleceram a percepção de um sistema político marcado por estruturas permanentes de poder, independentemente das disputas eleitorais entre os principais partidos.
Eleições de 2006: Lula conquista a reeleição
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| Antagonismo e semelhanças entre Lula e Geraldo Alckmin |
Candidatos:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- Geraldo Alckmin (PSDB)
Nas eleições presidenciais de 2006, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no segundo turno, derrotando Geraldo Alckmin.
A campanha ocorreu poucos meses após a crise política provocada pelo Mensalão, esquema investigado pelo Congresso Nacional e posteriormente julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
No escândalo o nome do atual presidente Lula foi poupado por seus aliados e opositores da época.
No fim da campanha eleitoral desse ano o PSDB parecia não ter intenção de vencer PT, não citando nenhum escândalo de corrupção do governo e nenhum índice negativo alcançado pela gestão petista, afim de alertar a população e angariar votos para uma possível mudança.
Apesar do desgaste político provocado pelas investigações, Lula manteve elevados índices de aprovação popular, impulsionados principalmente pelo crescimento econômico, pela expansão do crédito e pelos programas sociais desenvolvidos durante seu primeiro mandato.
A vitória garantiu ao PT mais quatro anos no comando do governo federal e consolidou o partido como a principal força política nacional naquele momento.
Eleições de 2010: Dilma Rousseff sucede Lula
- Dilma Rousseff (PT)
- José Serra (PSDB)
Impedido constitucionalmente de disputar um terceiro mandato consecutivo, Lula escolheu a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata à Presidência.
Dilma venceu José Serra no segundo turno das eleições de 2010, tornando-se a primeira mulher eleita presidente do Brasil.
A vitória representou a continuidade do projeto político iniciado em 2003, mantendo o PT no comando do Poder Executivo por um terceiro mandato consecutivo.
Até aqui já são 5 eleições consecutivas que a presidência é disputada por PT e PSDB. Ao vencer essa eleição o PT acumula 12 anos a frente do pais.
Entre 2010 e 2014, diversos indicadores sociais e econômicos passaram a gerar debates sobre os rumos do país.
Na educação, o Brasil continuava enfrentando dificuldades para melhorar seu desempenho em avaliações internacionais. Em estudos comparativos da época, o país ocupava posições inferiores às de diversas economias emergentes, evidenciando desafios históricos relacionados à qualidade do ensino.
Outro indicador preocupante era o analfabetismo funcional, que permanecia elevado, demonstrando que milhões de brasileiros possuíam dificuldades para interpretar textos e realizar operações matemáticas básicas.
Na área da segurança pública, o país registrava uma das maiores taxas de homicídios do mundo, tornando a violência um dos principais desafios nacionais.
No cenário econômico, a inflação oficial medida pelo IPCA encerrou 2010 em 5,91%, acima do centro da meta estabelecida pelo governo, refletindo pressões inflacionárias que permaneceriam nos anos seguintes.
Esses indicadores alimentaram críticas de diferentes setores da sociedade quanto à capacidade do Estado de promover avanços estruturais em áreas essenciais como educação, segurança e crescimento econômico.
Eleições de 2014: A disputa mais acirrada desde a redemocratização
Principais candidatos:
- Dilma Rousseff (PT)
- Aécio Neves (PSDB)
- Eduardo Campos (PSB)
As eleições presidenciais de 2014 foram uma das mais disputadas da história recente do Brasil.
Durante a campanha, o candidato Eduardo Campos faleceu em um acidente aéreo, episódio que alterou significativamente o cenário eleitoral. Sua vice, Marina Silva, assumiu a candidatura e chegou a liderar algumas pesquisas de intenção de voto antes de perder força nas semanas finais da campanha.
A morte de Eduardo Campos ocorreu três meses após a sanção da sanção da Lei 12.970, que alterou o sigilo de investigações de acidentes aeronáuticos.
Marina Silva, na época vice de Eduardo Campos, era pra estar embarcada no avião acidentado seguindo compromissos, mas alterou sua agenda um dia antes do embarque.
No segundo turno, Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves por uma diferença de pouco mais de três milhões de votos, em uma disputa marcada pela forte polarização política.
Após o resultado, o PSDB solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma auditoria na votação eletrônica. A análise realizada pela Justiça Eleitoral concluiu que não foram encontradas irregularidades capazes de comprometer o resultado oficial da eleição.
Embora o tema da transparência eleitoral tenha permanecido presente no debate público nos anos seguintes, não houve decisão judicial que invalidasse o resultado das eleições de 2014.
E as apurações seguem secretas.
Lava Jato e a crise política
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| Os valores somados da Lava Jato somam R$ 8 trilhoes |
As investigações revelaram um sistema de pagamento de propinas, superfaturamento de contratos públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais, envolvendo empresários, executivos e políticos de diferentes partidos.
A operação tornou-se uma das maiores investigações anticorrupção da história do Brasil e resultou em centenas de condenações em primeira instância, acordos de colaboração premiada e recuperação de bilhões de reais aos cofres públicos.
Paralelamente, também ganharam destaque denúncias relacionadas aos custos e às obras da Copa do Mundo de 2014, além das manifestações populares iniciadas em junho de 2013, que expressavam insatisfação com serviços públicos, corrupção e gastos governamentais.
Um período de forte polarização política
Entre 2006 e 2014, o Brasil viveu um período marcado pela continuidade do PT na Presidência, pela intensificação da polarização política e pelo aumento da desconfiança de parte da população em relação às instituições públicas.
Ao mesmo tempo em que programas sociais e indicadores econômicos eram apontados por apoiadores como avanços importantes, opositores criticavam a condução da economia, o crescimento da dívida pública e os sucessivos escândalos de corrupção revelados durante o período.
Esse conjunto de acontecimentos preparou o cenário para uma das maiores crises políticas da história recente do país, cujos desdobramentos influenciariam diretamente os acontecimentos dos anos seguintes.
Independentemente das diferentes interpretações políticas, compreender esse ciclo histórico é fundamental para analisar as transformações ocorridas na política brasileira e seus impactos nas eleições posteriores.










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