Eleições Presidenciais de 2018: O Brasil em um momento de transformação política
As eleições presidenciais de 2018 marcaram um dos momentos mais significativos da democracia brasileira desde a redemocratização. O cenário político era influenciado pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016, pela forte polarização entre diferentes grupos políticos e pelo crescimento da influência das redes sociais no debate público.
Foi uma eleição que representou o rompimento de um padrão observado nas disputas presidenciais anteriores e abriu um novo capítulo na história política do país.
O cenário político após o impeachment de Dilma Rousseff
Em 2016, Dilma Rousseff teve seu mandato encerrado após um processo de impeachment aprovado pelo Congresso Nacional por crime de responsabilidade relacionado às chamadas "pedaladas fiscais". O processo dividiu a sociedade brasileira e permanece objeto de diferentes interpretações políticas.
Paralelamente, a Operação Lava Jato ampliava investigações sobre esquemas de corrupção envolvendo contratos da Petrobras, empresas privadas e agentes públicos de diferentes partidos políticos. As investigações resultaram em centenas de condenações, acordos de colaboração premiada e recuperação de bilhões de reais.
Em 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrava-se preso após condenação confirmada em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Em razão da Lei da Ficha Limpa, sua candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral, levando o Partido dos Trabalhadores a substituir Lula por Fernando Haddad.
Eleições de 2018: Fernando Haddad x Jair Bolsonaro
Principais candidatos
- Fernando Haddad (PT)
- Jair Messias Bolsonaro (PSL)
Com Lula impedido de disputar a eleição, Fernando Haddad assumiu a candidatura do Partido dos Trabalhadores utilizando o slogan "O Brasil Feliz de Novo", buscando dar continuidade ao projeto político iniciado em 2003.
Do outro lado, Jair Bolsonaro consolidava uma candidatura baseada em pautas como combate à corrupção, segurança pública, redução do tamanho do Estado e críticas ao sistema político tradicional.
Durante a campanha, Bolsonaro sofreu um atentado a faca em Juiz de Fora (MG) por um ex- afiliado ao PSOL( Partido Socialismo e Liberdade), Adélio Bispo, episódio que teve ampla repercussão nacional e internacional.
O candidato precisou interromper sua agenda eleitoral para realizar tratamento médico, enquanto sua campanha passou a utilizar intensamente as redes sociais como principal meio de comunicação com os eleitores.
A ascensão dos discursos e atitudes de Bolsonaro amplamente divulgados na internet, somados à tentativa de homicídio sofrida por ele, não puderam ser maquiados ou ignorados pela mídia tradicional.
Foi a primeira eleição em que as redes sociais superavam a TV como principal meio de influência politica.
A influência das redes sociais nas eleições de 2018
As eleições de 2018 representaram um marco na comunicação política brasileira.
Pela primeira vez, plataformas digitais como YouTube, Facebook, WhatsApp, Instagram e Twitter passaram a desempenhar papel central na disputa eleitoral, reduzindo a dependência da propaganda tradicional na televisão.
O debate político tornou-se mais descentralizado, permitindo que candidatos alcançassem milhões de pessoas diretamente por meio da internet, alterando significativamente a dinâmica das campanhas eleitorais.
Esse novo modelo de comunicação modificou a relação entre candidatos, imprensa e eleitores, inaugurando uma nova etapa da política brasileira
A vitória de Jair Bolsonaro
No segundo turno, Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad e foi eleito presidente da República.
Um fenômeno importante desse ano foi o uso exagerado da palavra “Democracia” (possibilidade de alternância de poder), usada ironicamente por todos os candidatos derrotados no primeiro turno ao justificarem seu apoio a apenas um candidato, o do PT.
Nessa eleição, o país se dividiu entre duas interpretações de realidade: uma que via o sistema político como um modelo estabilizado e funcional, e outra que enxergava um ciclo contínuo de manutenção de poder disfarçado de alternância.
E pela primeira vez na história, decidiram eleger um político independente, totalmente fora do emaranhado político partidário nacional, Bolsonaro já havia passado por 8 partidos políticos e provava não ter laços e raízes com ideais partidários e sim pessoais.
Independentemente da interpretação adotada, a eleição de 2018 alterou profundamente o cenário político brasileiro e encerrou um ciclo de quatro mandatos consecutivos do Partido dos Trabalhadores na Presidência da República.
Eleições de 2022: O Retorno de Lula e a Intensificação da Polarização
Eleições Presidenciais de 2022
As eleições presidenciais de 2022 foram consideradas uma das disputas mais acirradas da história recente do Brasil.
Os dois principais candidatos foram:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- Jair Messias Bolsonaro (PL)
A campanha ocorreu em um ambiente de forte polarização política, intensa participação das redes sociais e grande mobilização popular.
O retorno de Lula à disputa eleitoral
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações impostas a Luiz Inácio Lula da Silva nos processos da Operação Lava Jato por questões processuais relacionadas à competência da Justiça Federal de Curitiba. Com a anulação das condenações, Lula recuperou seus direitos políticos e tornou-se novamente elegível para disputar a Presidência da República.
A decisão gerou reações distintas. Seus apoiadores defenderam que a medida restabeleceu garantias constitucionais, enquanto críticos consideraram que ela representava um revés para o combate à corrupção.
O governo Bolsonaro e o contexto eleitoral
Durante o mandato de Jair Bolsonaro, o Brasil enfrentou desafios significativos, especialmente em razão da pandemia de COVID-19, que afetou a economia, a saúde pública e diversos setores da sociedade.
Ao mesmo tempo, indicadores econômicos e sociais se apresentaram positivos em relação aos anos anteriores, tornando a avaliação do governo objeto de intenso debate entre especialistas, analistas e eleitores.
Questões como inflação, geração de empregos, crescimento econômico, política fiscal, segurança pública e gestão da pandemia dominaram a campanha presidencial.
E mesmo após inúmeras decisões do TSE beneficiárias à campanha de Lula e decisões desfavoráveis à campanha de Bolsonaro, o Brasil foi às urnas.
O resultado das eleições de 2022
Após a divulgação do resultado, foram apresentados pedidos de auditoria e questionamentos por partidos políticos, entidades e grupos da sociedade.
O Tribunal Superior Eleitoral analisou os pedidos apresentados e manteve a validade do resultado oficial, concluindo que não havia elementos técnicos suficientes para alterar o resultado da eleição.
Nesse caso, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, teria sido secretário de Segurança Pública de São Paulo e também secretário da Justiça do Estado durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), este agora atual vice-presidente do candidato Lula (PT).
Embora parte da população tenha continuado expressando dúvidas sobre o processo eleitoral, as eleições de 2022 permaneceram oficialmente reconhecidas pela Justiça Eleitoral brasileira e pelas instituições responsáveis pela fiscalização do processo.
Um novo cenário político
As eleições de 2022 consolidaram uma polarização que já vinha se intensificando desde 2018.
O debate político tornou-se cada vez mais presente nas redes sociais, nos meios de comunicação e nas relações cotidianas entre os brasileiros, refletindo diferentes visões sobre economia, papel do Estado, combate à corrupção, liberdade de expressão e políticas públicas.
Independentemente das preferências políticas, o período demonstrou o crescimento da participação popular no debate nacional. Mas como desenvolver consciência política na prática ?
Consciência política vai além do voto
A consciência política não começa na urna eletrônica. O voto é apenas a etapa final de um processo muito maior: a formação da capacidade de analisar informações, compreender instituições e avaliar os resultados das políticas públicas.
Quando essa consciência não está desenvolvida, o voto pode ser influenciado por fatores como tradição familiar, identificação ideológica, emoções ou campanhas de comunicação, sem uma análise aprofundada das propostas e de seus impactos.
Por isso, desenvolver consciência política significa cultivar pensamento crítico antes mesmo do período eleitoral.
Pensar antes de escolher
A formação de uma visão política exige mais do que acompanhar campanhas ou conhecer nomes de candidatos.
Ela envolve compreender como funcionam os poderes da República, o papel das instituições, a elaboração das leis, a gestão dos recursos públicos e os efeitos das decisões governamentais na vida cotidiana.
Também é importante questionar a origem das informações consumidas.
Antes de aceitar qualquer narrativa, vale perguntar:
- De onde veio essa informação?
- Quais evidências sustentam essa afirmação?
- Existem outras fontes confiáveis sobre o mesmo tema?
- Quais interesses podem estar envolvidos na divulgação dessa narrativa?
Essas perguntas ajudam a reduzir o risco de aceitar informações sem verificação.
A importância da educação política
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| Slogan do PT após 5 mandatos presidenciais. |
Educação política não significa defender um partido ou uma ideologia específica.
Significa aprender a analisar fatos, comparar resultados, compreender dados públicos e reconhecer que diferentes interpretações podem existir sobre os mesmos acontecimentos.
Uma sociedade politicamente consciente tende a participar de maneira mais ativa da vida pública e a cobrar maior transparência dos representantes eleitos.
A história ajuda a entender como determinadas situações foram construídas ao longo do tempo.
Quando fatos atuais são analisados à luz do contexto histórico, torna-se mais fácil identificar continuidades, mudanças e padrões de comportamento na política brasileira.
O papel do cidadão
A transformação política depende da participação da sociedade.
Isso envolve acompanhar a atuação dos representantes eleitos, fiscalizar políticas públicas, participar do debate público de forma respeitosa e buscar informações em fontes confiáveis.
A democracia se fortalece quando cidadãos desenvolvem autonomia intelectual, pensamento crítico e disposição para avaliar governos e instituições com base em evidências e resultados.
Mais do que escolher candidatos, desenvolver consciência política significa compreender o funcionamento do Estado e exercer a cidadania de forma responsável.
As eleições de 2018 e 2022 marcaram uma das fases mais intensas da história política recente do Brasil. A polarização, a transformação da comunicação política pelas redes sociais, os desdobramentos da Operação Lava Jato e os debates sobre instituições democráticas moldaram um novo cenário para o país.
Independentemente das posições ideológicas, compreender esse período exige analisar os fatos, e valorizar o pensamento crítico. A consciência política se desenvolve por meio da educação, da informação e da capacidade de questionar, tornando o cidadão protagonista de sua própria participação na democracia.





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